É olhar e ver que não importa tanto o que se faça ou o que se pense (e é nesse momento que toda a discussão entre idéia e práxis se esvazia de sentido), determinados acontecimentos que tenham caminhos a tomar, tomarão sempre um caminho específico. Muito se engana quem supõe que eu estou falando de destino, não seria tola a este ponto. O que eu to dizendo é: não importa se você se joga ou se vc é prudente, vc vai sempre se foder porque os seus caminhos têm sempre essa tônica, sempre esse fim. E não to falando de conformismo, de modo algum! To falando de ser resignadamente sacana pra entender, captar e rir de si mesmo, afinal não há nada mais razoável que fazer piada das próprias misérias. Caso assim eu não fosse, aqui não estaria.
Mas ainda assim, tendo essa consciência toda, a gente sempre acredita, de um jeito ou de outro, poder "driblar" determinadas contingências e realizarmos aquilo que temos vontade. Só que quando a gente dá de cara com o que não é contornável absolutamente, a gente faz o quê? Duas alternativas: ou se sente estúpida ou ri da merda toda. E veja, uma não se opõe a outra, necessariamente, mas podem se coadunar, tornando a coisa toda muito mais "bacana" de se levar.
De modo que, eu sei que é burrice pensar que aspectos específicos de contextos determinados podem ser modificados em prol das nossas predileções e desejos; e isso é simples de se compreender. O difícil é pensar que diante dessa impossibilidade, temos que apenas nos contentar em sufocar nossas ações e seguir adiante com essa espécie de castração, pensando que não há nada que se possa fazer, além de SUBVERTER A PORRA TODA, FODENDO O AZAR E CONTORNANDO SIM O INCONTORNÁVEL. DE ALGUMA MANEIRA E EM ALGUM MOMENTO!
Eu não vou parar.
Quem for de entender, que entenda.
----------------
"Para suportar a minha seriedade e a minha paixão é preciso ser íntegro nas coisas de espírito até as últimas consequências; necessária é também a inclinação para o proibido; predestinação para o labirinto; o respeito por si mesmo, o amor-próprio, a liberdade absoluta para consigo."
F. Nietzsche - O anticristo.


